sexta-feira, 29 de novembro de 2013
terça-feira, 26 de novembro de 2013
PARA AS CRIANÇAS...
Para as crianças amantes das poesias, o vasto apetite de conhecer o mundo das letras,
é igual aos dos viajantes que partem de corações leves, como balões de luz, à procura
de Histórias de encantar.
Era uma vez, um país, chamado país das letras, situado muito perto das estrelas.
Fontes de luz iluminavam o palacete, onde viviam as letras, rainhas e senhoras das
palavras e onde se faziam os mais belos poemas de amor!
Haviam festas com bailados de palavras, abrilhantadas pela orquestra dos sóis, anjos e
arcanjos e pelas águas eternas do Universo.
- Como seria a poesia no Mundo dos homens? - diziam elas…
Que ideia tão interessante ir até à Terra, ao Mundo dos homens, ver outras letras,
conhecer outras culturas......e porque não, ficarem um tempo por lá....viajando no
Mundo do sonho e da palavra?
- A Terra devia ser linda!
- Devia haver nela um mundo poético, cheio de encanto e luz! Que lindo devia ser!
Para partir, era só preciso coragem, e desejo de aventura…
Na terra dos homens, devia haver paisagens, oceanos, com cores deliciantes,
sereias, dunas desertas, florestas luxuriantes, neves eternas, formigas,
elefantes…devia ser um mundo de poesia e de palavras novas…
- Partamos! - dizia D. Palavra.
- Cuidado com a TERRA......avisava o Sr Alfabeto
Chegaram às fronteiras e lá passaram na escuridão da noite!
Repousaram-se nalguns bancos de jardim! Viram homens pequenos, grandes, nus,
outros vestidos, negros, brancos com olhos de amêndoa,uns violentos, outros serenos e meigos....
Afinal a Terra era aquilo! Que lindo!…Como conviver com outras letras?
Era esse o problema principal! Saber um pouco sobre elas…
Afinal, ir à descoberta não era fácil!
A noite estava escura e não havia luar!
Viam-se jornais pelo chão, livros, latas de cerveja, cascas de laranja…
- Que porcaria! - diziam as letras!
- Que se passa? Que fazem vocês pelo chão? - perguntavam as letras
intrigadas.
- E vocês que fazem aqui? – perguntavam as letras da terra?
- Viemos fazer uma experiencia convosco, dar um abraço aos poetas da
terra e a vocês!
- Fraco gosto! Não tarda os homens do lixo vêm buscar-nos e nós lá
vamos para a reciclagem do papel!
- As pessoas aqui ralam-se pouco connosco! Já nos espezinharam
muito! Cuspiram-nos na cara…e dão-nos pontapés…e os poetas são
considerados loucos por gostarem de nós!
- Mas os homens seriam todos assim? - questionavam as letras.
Olhando com pena, as letras dos jornais, D. Palavra, achou que no
mundo dos homens, afinal não havia respeito. Era preciso uma reunião urgente
entre as letras do mundo e as letras do país do sol!
- Temos de nos reunir, e lutar por nós! Não vale a pena viver num
mundo tão mau, onde ninguém respeita ninguém!...Vamos descansar um
pouco e pela manhã marcamos reunião!...
De manhã quando acordaram, estava tudo calmo. Não se ouviam os
gemidos das letras…somente o murmúrio das vogais, letras pequeninas, que
quase não sabiam falar. Que lhes teria acontecido? De repente…
Saltou duma janela o sr B., e outras letras!
- Procuram as nossas irmãs? Entre muitos gritos, elas foram levadas à
força pelos homens do lixo! Aqui ninguém vive em paz!
- Que bom terem chegado! É a hora da revolução! Todas as letras juntas
e poetas…Faremos uma revolução! Vivo aqui nesta casa com outras letras e
poetas! Temos de fugir daqui!...
- Quando chegar a noite- dizia D. Palavra.
- Certo… certo, diziam todas felizes de contentamento.
A noite chegou! Com muito cuidado para não fazerem barulho,
levantaram-se e espreitavam atrás de pedras.
D. Palavra, do país das letras com seus cabelos verdes, olhos roxos, e
um vestido de poesia, dava o 1º sinal!
- Partida!
E lá corriam as letras e poetas! Haviam poças no chão onde as letras se
banhavam….
-Oh! Oh! Oh!
-Ah! Ah! Ah!-
-Brr! Brr! Brr!
-Ih! Ih! Ih! Ih!
Os poetas iam cantarolando…e foram indo por entre grutas, montanhas,
rios, riachos e vales!
- Ai ai ai! - gritava um…
- Ui ui ui esperem por mim! - gritava outro…
Chegaram!
Houve um momento de grande confusão! Davam cambalhotas, todos
riam, batiam palmas, davam gargalhadas! A palavra fazia o pino e o Alfabeto
dava saltos mortais!… Depois de todas estas habilidades, poetas e letras
acharam que deviam chamar àquele cantinho: O solar de poetas…
Hoje ainda se chama assim….e muitas palavras e poetas emigram da
terra para lá, talvez estejam à vossa espera. Não deixem de ir!...
Nós os Lipinhos, já lá estamos!
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
sábado, 23 de novembro de 2013
UMA FADA ME FALOU!
Veio uma fada, perguntar
Que desejo eu queria?
E um pouco a soluçar
Pedi-lhe só alegria!
Perguntou-me novamente
Qual a segunda ambição
E porque o meu corpo sente
Pedi-lhe o teu coração!
Veio o terceiro desejo
Envolto em grande pureza
Ter o doce do teu beijo
Mas ter o pão…sobre a mesa!
Outro então se seguiu
E o quinto chegou também
Quando o meu peito se abriu
Para te ter no além!
O sexto, de igual chegou
Para me fazer sonhar
Quando os lábios me adoçou
E levou-me a navegar
Só uma fada assim
Pode ter boa magia
E trazer-me para mim
Paz, amor…e Poesia!
Oh! Minha fada madrinha
Dá-me alento à razão
Toca-me com a tua varinha
E entrega-me o teu condão!
"O Poeta Alentejano"- Renato Valadeiro
NO BACIO...
No bacio.
Depois do jantar enquanto o papá e o avô conversavam, nós fomos brincar para o teu cantinho na nossa casa.
Ainda não sabias muito bem pedir para fazeres chichi ou cocó no bacio e até confundias as duas ações. Os teus pais já tinham começado aos poucos a retirarem-te as fraldas durante o dia a conversarem contigo, sobre a nova etapa da tua vida. Por isso quando estavas na nossa casa, eu deixava-te andar de cuecas e tu gostavas muito, pela sensação de liberdade. Gostavas muito das figuras de princesas e por isso, as tuas cuecas tinham imagens de princesas e nós tínhamos-te dito que, se fizesses chichi nas cuecas, as princesas que lá estavam ficavam todas molhadas, a cheirar a chichi e ficavam muito tristes. Por isso era mais bonito fazeres chichi no bacio.
A nossa brincadeira estava tão animada que nem dei pelo tempo passar e nunca mais me lembrei que estavas sem fralda. De repente disseste muito aflita: cocó, cocó... Rapidamente tirei-te as cuecas e sentei-te no bacio que estava ao pé de nós, pois andávamos com ele sempre atrás, para o caso de ser preciso de imediato, como foi naquele momento. Sentada no bacio a rir com um ar de alívio e satisfação, disseste: “já tá, có”. Pela primeira vez fizeste um grande chichi no bacio, da casa dos avós.
Muito depressa, pois tu nunca fazias nada devagar, sem me dares tempo para mais nada, pegas no bacio com as duas mãos e a correr pelo corredor fora, começaste a gritar: “papá, bô, papá, bô”... Na minha cabeça só tinha a imagem do momento em que tropeçavas e lá ias tu e o chichi para o meio do chão. Entraste radiante na sala sem entornares uma única pinguinha e mostraste o bacio com o teu chichi ao papá e ao avô. Colocaste o bacio no chão e com o teu dedito indicador, apontavas para o bacio para que eles vissem o teu grande feito.
Quando fazias chichi ou cocó no bacio, a tua mamã para te motivar, cantava-te uma canção muito engraçada. Como a tua mãe não estava, tomaste tu a iniciativa e começaste a cantá-la, fazendo com que nós te acompanhasse-mos nessa tua grande vitória, cantando e batendo palminhas.
“Nana, viva a Mariana, viva a Mariana.
Nana, viva a Mariana, viva a Mariana”...
Isabel Beato
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